terça-feira, 14 de junho de 2011

A Ciência contra o "Novo Código"

Caros amig@s,

venho aqui para divulgar publicações científicas a respeito do polêmico Novo Código Florestal e prezar pelo Ordem e Progresso escritos na bandeira, afinal, se um país ignora a ciência este tende ao fracasso.

Em primeiro destaco a revista Biota Netrópica que trouxe um volume sobre o assunto com artigos de diversos pesquisadores: http://www.biotaneotropica.org.br/v10n4/pt/toc e posterior repasso notícias a respeito de trabalhos de diversos institutos de pesquisas criticando a mudança do código, como até um agravante para o clima do mundo.

Na revista os artigos falam desde a falsa dicotomia entre preservação da vegetação natural e a produção agropecuária, a influência negativa dessa mudança sobre a biodiversidade brasileira, até influência diretas a sociedade humana como por exemplo afetando negativamente os recursos hídricos.

Há artigos sobre o efeito negativo do novo código sobre diversos grupos de animais, como anfíbios, mamíferos, aves, borboletas, abelhas, peixes, seres que representam um grande papel no equilíbrio ambiental, desde polinizadores, essenciais para produções agrícolas, a outros que se alimentam de insetos evitando pragas que afetem a agricultura e tragam doenças a sociedade, e por ai vai..

Destaco o resumo de dois entre muitos bons artigos, com o site para acesso e possível visualização do texto completo.


MARTINELLI, L.A., JOLY, C.A., NOBRE, C.A. & SPAROVEK, G.

A falsa dicotomia entre a preservação da vegetação natural e a produção agropecuária.

Biota Neotrop. 10(4): http://www.biotaneotropica.org.br/v10n4/pt/abstract?point-of-view+bn00110042010.

Resumo: Este artigo mostra através da análise de dados censitários sobre uso da terra no Brasil que a possível dicotomia entre a preservação da vegetação natural e a produção de alimentos na realidade não existe. Demonstramos que o Brasil já tem uma área desprovida de vegetação natural suficientemente grande para acomodar a expansão da produção agrícola. emonstramos também que a maior expansão se dá nas áreas ocupadas pelas chamadas culturas de exportação – soja e cana-de-açúcar – e não propriamente nas áreas ocupadas por arroz, feijão e mandioca, que são consumidos de forma direta pelo mercado nacional. Pelo contrário, a área colhida de arroz e feijão tem inclusive decrescido nas últimas décadas, enquanto a área colhida de mandioca encontra-se praticamente constante há quatro décadas. Os maiores entraves para a produção de alimentos no Brasil não se devem a restrições supostamente impostas pelo Código Florestal, mas, sim, à enorme desigualdade na distribuição de terras, a restrição de crédito agrícola ao agricultor que produz alimentos de consumo direto, a falta de assistência técnica que o ajude a aumentar a sua produtividade, a falta de investimentos em infraestrutura para armazenamento e escoamento da produção agrícola, a restrições de financiamento e priorização do desenvolvimento e tecnologia que permita um aumento expressivo na lotação de nossas pastagens,

Palavras-chave: alimentos, uso do solo, preservação, leis ambientais, Código Florestal Brasileiro.


TUNDISI, J.G. & TUNDISI, T.M.

Impactos potenciais das alterações do Código Florestal nos recursos hídricos.

Biota Neotrop. 10(4): http://www.biotaneotropica.org.br/v10n4/pt/abstract?article+bn01110042010.

Resumo: Florestas ripárias, mosaicos de vegetação e áreas alagadas têm papel fundamental na proteção dos recursos hídricos mantendo a qualidade da água em excelentes condições para abastecimento e recarregado aquíferos repondo, portanto, volumes substanciais de águas para o componente subterrâneo. A remoção de florestas ripárias e áreas alagadas têm um efeito extremamente negativo degradando a qualidade das águas superficiais e subterrâneas, acelerando a sedimentação de lagoas, represas e rios, e diminuindo o estoque de água nas nascentes e aquíferos. Todos os serviços ambientais dos ecossistemas aquáticos ficam comprometidos com o desmatamento e remoção de áreas naturalmente alagadas, portanto a preservação destas áreas é essencial para regular tanto o ciclo hidrológicos como os ciclos biogeoquímicos. A remoção destas áreas torna insustentável a agricultura em curto prazo.

Palavras-chave: bacias hidrográficas, florestas ripárias, áreas alagadas, ciclo hidrológico, biogeoquímica da água, qualidade da água, quantidade da água.

_______________________________________

Dentre as inúmeras notícias, destaco:

Código Florestal como foi aprovado na Câmara poderá agravar mudanças climáticas, alertam cientistas do IPCC

http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/05/30/70523-codigo-florestal-como-foi-aprovado-na-camara-podera-agravar-mudancas-climaticas-alertam-cientistas-do-ipcc.html


Técnicos do Ipea calcularam a área de vegetação nativa que deixaria de ser recuperada

(http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=8817%3Aestudo-avaliou-impactos-do-novo-codigo-florestal&catid=1%3Adirur&Itemid=7)

Novo Código Florestal aumentaria em 47% o desmate até 2020, diz UNB

(http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/06/11/71069-novo-codigo-florestal-aumentaria-em-47-o-desmate-ate-2020-diz-unb.html)

Atual proposta do Código Florestal poderá prejudicar metas brasileiras de redução de carbono, diz Ipea

http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/06/09/70982-atual-proposta-do-codigo-florestal-podera-prejudicar-metas-brasileiras-de-reducao-de-carbono-diz-ipea.html

Novo Código Florestal não resolverá problema dos minifúndios, diz Ipea

http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/06/09/70948-novo-codigo-florestal-nao-resolvera-problema-dos-minifundios-diz-ipea.html

Um abraço e até o ato RIO EM BLOCO CONTRA O DESMATAMENTO dia 16, domingo, 10h Copacabana, Posto 6, RJ!

https://www.facebook.com/event.php?eid=109852335772318

------------------

Felipe Pinheiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário